{"id":44371,"date":"2026-10-21T10:42:13","date_gmt":"2026-10-21T13:42:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/?p=44371"},"modified":"2026-10-21T10:42:14","modified_gmt":"2026-10-21T13:42:14","slug":"pesquisa-da-uesb-revela-como-a-sociedade-culpa-vitimas-de-feminicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/pesquisa-da-uesb-revela-como-a-sociedade-culpa-vitimas-de-feminicidio\/","title":{"rendered":"Pesquisa da Uesb revela como a sociedade culpa v\u00edtimas de feminic\u00eddio"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"668\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-Ilustrativa-Freepik.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44372\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de um caso de feminic\u00eddio, uma pergunta costuma aparecer nas conversas, nas redes sociais e at\u00e9 durante investiga\u00e7\u00f5es e processos judiciais: \u201cO que ela fez para isso acontecer?\u201d. Embora pare\u00e7a inofensiva para muitas pessoas, essa forma de pensar pode esconder um grave problema: a tend\u00eancia de culpabilizar a v\u00edtima pela viol\u00eancia sofrida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi com o objetivo de compreender como esse processo acontece que a advogada e especialista em Ci\u00eancias Criminais, Fadja Fr\u00f3es, desenvolveu sua tese para conclus\u00e3o do Doutorado em Mem\u00f3ria: Linguagem e Sociedade na Uesb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com orienta\u00e7\u00e3o da professora T\u00e2nia Rocha, Fadja investigou como discursos presentes em processos judiciais e nas redes sociais contribuem para transferir a responsabilidade do crime da pessoa que o cometeu para a mulher que foi assassinada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa teve seu ponto de partida ainda quando Fadja cursava o Mestrado na Uesb e estudava casos de feminic\u00eddio ocorridos no Estado da Bahia entre os anos de 2015 e 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora analisou os interrogat\u00f3rios dos acusados, bem como os depoimentos das testemunhas. \u201cChamou nossa aten\u00e7\u00e3o as narrativas que eram constru\u00eddas pelos agressores para tentar justificar a pr\u00e1tica do feminic\u00eddio, colocando as mulheres como respons\u00e1veis pelas pr\u00f3prias mortes\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir dessa observa\u00e7\u00e3o, a advogada decidiu verificar como isso ocorria tamb\u00e9m na sociedade e como as justificativas dos autores dos crimes impactavam o meio social. O ambiente digital foi o escolhido para essa fase do estudo, mais especificamente perfis de ve\u00edculos de not\u00edcias no Instagram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resultados \u2013 A an\u00e1lise dos coment\u00e1rios publicados no Instagram mostrou que a culpabiliza\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas de feminic\u00eddio costuma seguir tr\u00eas padr\u00f5es principais. O primeiro responsabiliza a mulher por suas escolhas pessoais, com argumentos de que ela \u201csabia com quem estava se envolvendo\u201d. O segundo associa o crime ao t\u00e9rmino do relacionamento, sugerindo que a v\u00edtima \u201cprovocou\u201d o agressor ao decidir se separar. J\u00e1 o terceiro busca desqualificar a mulher com base em seu estilo de vida, comportamento ou rela\u00e7\u00f5es pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao realizar a sobreposi\u00e7\u00e3o das justificativas dos acusados e dos coment\u00e1rios de usu\u00e1rios do Instagram, o estudo evidencia que existe uma valida\u00e7\u00e3o social do crime de feminic\u00eddio: o que os agressores dizem nas defesas \u00e9 exatamente o que as pessoas escrevem nos coment\u00e1rios. \u201cQuando a pessoa escreve \u2018ela procurou\u2019, \u2018ela sabia quem ele era\u2019, est\u00e1 n\u00e3o apenas tirando a responsabilidade daquele agressor espec\u00edfico, mas de todos os homens. Refor\u00e7a-se, com isso, que a seguran\u00e7a da mulher depende exclusivamente do seu comportamento, n\u00e3o passando pelo respeito masculino\u201d, aponta a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo isso alimenta uma cultura que dificulta o enfrentamento desse tipo de crime. O medo de ser julgada ou desacreditada faz com que muitas v\u00edtimas deixem de denunciar seus agressores, permanecendo em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e aumentando o risco de um desfecho fatal. Al\u00e9m disso, o julgamento moral pode afastar mulheres dos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o e provocar impactos psicol\u00f3gicos, como ansiedade, depress\u00e3o e isolamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos desse comportamento tamb\u00e9m atingem toda a sociedade. Segundo a pesquisadora, o ato de culpabilizar a v\u00edtima fortalece a ideia de que os homens t\u00eam direito de controlar a vida, o corpo e a liberdade das mulheres, gerando uma normaliza\u00e7\u00e3o do machismo. Por sua vez, contribui para a suaviza\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre o crime de feminic\u00eddio, incentivando novos agressores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como mudar essa realidade? \u2013 Ao investigar essas narrativas, a pesquisa amplia a compreens\u00e3o sobre os mecanismos que sustentam a viol\u00eancia de g\u00eanero e convida a sociedade a refletir sobre como combate, fala e reage ao tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Fadja, cada um pode fazer a sua parte e ajudar a mudar essa realidade que mata milhares de mulheres todos os anos no Brasil: \u201cA mudan\u00e7a come\u00e7a na desconstru\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos di\u00e1rios e se estende para a mobiliza\u00e7\u00e3o social. Ent\u00e3o, quando souber de uma agress\u00e3o, nunca pergunte \u2018o que ela fez?\u2019, mas sim \u2018por que ele a agrediu?&#8217;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora defende uma educa\u00e7\u00e3o voltada, desde cedo, \u00e0 igualdade, rompendo com a masculinidade t\u00f3xica \u2013 que ensina aos meninos a posse e a agressividade como provas de virilidade \u2013 e com a submiss\u00e3o rom\u00e2ntica imposta \u00e0s meninas. Al\u00e9m disso, ressalta a import\u00e2ncia de a popula\u00e7\u00e3o utilizar as redes sociais para divulgar conte\u00fados \u00fateis e educativos sobre o tema, ao inv\u00e9s de engajar em posts preconceituosos, violentos ou que exponham a vida \u00edntima de v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para registro e encaminhamento de den\u00fancias aos \u00f3rg\u00e3os competentes ou receber orienta\u00e7\u00f5es sobre leis, direitos das mulheres e servi\u00e7os da rede de atendimento, ligue 180. Se ouvir ou presenciar qualquer situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia contra a mulher, acione a Pol\u00edcia Militar, por meio do 190.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ascom\/Uesb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem ilustrativa Depois de um caso de feminic\u00eddio, uma pergunta costuma aparecer nas conversas, nas redes sociais e at\u00e9 durante investiga\u00e7\u00f5es e processos judiciais: \u201cO que ela fez para isso acontecer?\u201d. Embora pare\u00e7a inofensiva para muitas pessoas, essa forma de pensar pode esconder um grave problema: a tend\u00eancia de culpabilizar a v\u00edtima pela viol\u00eancia sofrida. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-44371","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44371"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44373,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44371\/revisions\/44373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}