{"id":43931,"date":"2026-08-11T10:13:00","date_gmt":"2026-08-11T13:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/?p=43931"},"modified":"2026-08-11T10:13:00","modified_gmt":"2026-08-11T13:13:00","slug":"pesquisa-da-uesb-aponta-impactos-socioeconomicos-da-prisao-de-jovens-negros-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/pesquisa-da-uesb-aponta-impactos-socioeconomicos-da-prisao-de-jovens-negros-no-brasil\/","title":{"rendered":"Pesquisa da Uesb aponta impactos socioecon\u00f4micos da pris\u00e3o de jovens negros no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"630\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Atividades-no-presidio-desenvolvidas-pela-pesquisadora-da-Uesb-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43932\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Atividades no presidio desenvolvidas pela pesquisadora da Uesb<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O encarceramento em massa j\u00e1 figura entre os principais desafios sociais brasileiros. Atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos e China, o Brasil \u00e9 o terceiro pa\u00eds em todo o mundo com a maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, ultrapassando 850 mil pessoas presas, segundo o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). Embora afete toda a sociedade, algumas parcelas da popula\u00e7\u00e3o sofrem consequ\u00eancias mais profundas. \u00c9 o caso das pessoas negras, que representam 70% do total de encarcerados no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse contexto, a professora&nbsp;Luzi\u00eat Fontenele Gomes, do Departamento de Ci\u00eancias Humanas e Letras (DCHL) da Uesb, e o advogado Leandro Sarno, egresso da Especializa\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o P\u00fablica Municipal da Uesb,&nbsp;buscaram&nbsp;entender os impactos socioecon\u00f4micos da pris\u00e3o da juventude negra no Brasil.&nbsp;Por meio de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, a pesquisa reuniu diferentes interpreta\u00e7\u00f5es sobre o tema e evidenciou um consenso entre os autores consultados: o Estado exerce uma pol\u00edtica de puni\u00e7\u00e3o seletiva, sustentada pelo racismo estrutural, que atinge principalmente jovens negros das periferias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a pesquisa, os efeitos socioecon\u00f4micos da pris\u00e3o desses indiv\u00edduos s\u00e3o variados, como a interrup\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do conv\u00edvio familiar, que interfere diretamente na educa\u00e7\u00e3o e bem-estar dos dependentes. Ainda h\u00e1 a vulnerabilidade reprodutiva e o impacto na maternidade quando se trata de mulheres jovens privadas de liberdade. Na aus\u00eancia dos pais ou de algum outro respons\u00e1vel, os filhos menores de idade podem acabar sendo encaminhados a abrigos ou \u00e0 ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rejei\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um impacto percebido ao se tratar sobre o p\u00f3s-c\u00e1rcere. De acordo com o estudo, muitos desses jovens encontram dificuldades para serem acolhidos novamente em suas fam\u00edlias e comunidades e para serem aceitos no mercado de trabalho. \u201cEssa exclus\u00e3o reduz as oportunidades de reintegra\u00e7\u00e3o social e pode contribuir para a reprodu\u00e7\u00e3o de ciclos de vulnerabilidade e reincid\u00eancia, demonstrando que o encarceramento produz efeitos duradouros muito al\u00e9m do per\u00edodo de priva\u00e7\u00e3o da liberdade\u201d, destaca Luzi\u00eat.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais que o encarceramento em massa seja uma quest\u00e3o antiga, Leandro explica como os efeitos socioecon\u00f4micos acabam n\u00e3o sendo percebidos em sua totalidade por grande parte da sociedade. \u201cNa maioria das vezes, esses sintomas sociais v\u00e3o ser interpretados como falta de seguran\u00e7a p\u00fablica ou de puni\u00e7\u00e3o, o que acaba ecoando num discurso de que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 prender mais, por isso, nesse sentido, o debate ainda \u00e9 tratado muito como \u2018coisa de pol\u00edcia\u2019, \u00e9 restrito ao campo da seguran\u00e7a e do direito penal e acaba sendo deslocado das ra\u00edzes socioecon\u00f4micas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da realidade pesquisada, Leandro afirma que o estudo ainda serve para evidenciar que o encarceramento em massa n\u00e3o \u00e9 a real solu\u00e7\u00e3o para viol\u00eancia, mas sim, uma forma de perpetuar a desigualdade e a pobreza. \u201cO estudo vai demonstrar que prender jovens negros n\u00e3o vai resolver o problema da criminalidade. Muito pelo contr\u00e1rio. A gente entende que vai fragilizar a economia, porque esse jovem sai das pris\u00f5es j\u00e1 estigmatizado e incapaz de se reinserir no mercado de trabalho. Isso vai gerar um ciclo vicioso de exclus\u00e3o e que vai custar caro tamb\u00e9m para os cofres p\u00fablicos\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, Leandro aponta que a elevada presen\u00e7a de pessoas negras no sistema prisional \u00e9 resultado de um processo hist\u00f3rico de exclus\u00e3o. \u201cMesmo com o fim da escravid\u00e3o legal no Brasil, a popula\u00e7\u00e3o negra foi para as ruas totalmente abandonada. Ao tomar consci\u00eancia disso, a gente espera que as pessoas abandonem a indiferen\u00e7a e o senso comum e passem a cobrar do poder p\u00fablico pol\u00edticas penais que sejam mais justas, mais objetivas\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Luzi\u00eat, ao abordar esse tema de forma mais acess\u00edvel e em diversos canais, \u00e9 poss\u00edvel promover uma consci\u00eancia cr\u00edtica e fortalecer a cidadania. \u201cNo caso do encarceramento em massa, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica contribui para desconstruir a ideia de que a pris\u00e3o \u00e9 resultado apenas de escolhas individuais ou de uma suposta maior propens\u00e3o ao crime por determinados grupos sociais. Tornar esses dados conhecidos ajuda a combater estigmas e preconceitos que ainda alimentam o senso comum e dificultam a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es mais eficazes e humanizadas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores ainda citam a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11343.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei n\u00ba 11.343\/2006<\/a>, conhecida como a Lei de Drogas, como uma das principais causas desse cen\u00e1rio. A pesquisa aponta que a maneira como a lei \u00e9 aplicada promove o encarceramento da popula\u00e7\u00e3o em massa, especialmente ao se tratar das pessoas jovens. Isso refor\u00e7a desigualdades existentes e eleva a seletividade do sistema penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro fator listado pelo estudo \u00e9 o chamado \u201cmito da democracia racial\u201d, um conceito vinculado \u00e0 ideia de que as rela\u00e7\u00f5es raciais no Brasil se desenvolveram de forma harmoniosa e igualit\u00e1ria.&nbsp;\u201cMesmo com o fim da escravid\u00e3o legal no Brasil, a popula\u00e7\u00e3o negra foi para as ruas totalmente abandonada. Ao tomar consci\u00eancia disso, a gente espera que as pessoas abandonem a indiferen\u00e7a e o senso comum e passem a cobrar do poder p\u00fablico pol\u00edticas penais que sejam mais justas, mais objetivas\u201d, defende Leandro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ascom\/Uesb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atividades no presidio desenvolvidas pela pesquisadora da Uesb O encarceramento em massa j\u00e1 figura entre os principais desafios sociais brasileiros. 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