{"id":36497,"date":"2023-12-17T10:03:26","date_gmt":"2023-12-17T13:03:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/?p=36497"},"modified":"2023-12-17T10:03:27","modified_gmt":"2023-12-17T13:03:27","slug":"habito-de-acordar-cedo-pode-ser-heranca-dos-neandertais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/habito-de-acordar-cedo-pode-ser-heranca-dos-neandertais\/","title":{"rendered":"H\u00e1bito de acordar cedo pode ser heran\u00e7a dos neandertais"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"402\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Acordar-cedo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-36498\" srcset=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Acordar-cedo.jpg 402w, https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Acordar-cedo-90x90.jpg 90w, https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Acordar-cedo-70x70.jpg 70w\" sizes=\"auto, (max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os membros madrugadores da nossa esp\u00e9cie talvez devam o h\u00e1bito de acordar com as galinhas \u00e0 ancestralidade neandertal, que est\u00e1 presente, em alguma medida, na maior parte das pessoas vivas hoje.<br>\u00a0Segundo a hip\u00f3tese, formulada gra\u00e7as a novas an\u00e1lises do genoma dos neandertais e dos seres humanos modernos, essa caracter\u00edstica pode ter ajudado o Homo sapiens a se adaptar a ambientes temperados, nos quais a dura\u00e7\u00e3o do dia era mais vari\u00e1vel ao longo do ano, ao contr\u00e1rio do que acontecia nas regi\u00f5es natais da nossa esp\u00e9cie na \u00c1frica.<br>\u00a0Detalhes sobre a ideia acabam de sair na revista especializada Genome Biology and Evolution. Liderados por John Capra, da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Francisco, os cientistas vasculharam os dados de DNA de milhares de pessoas vivas hoje e os compararam com o genoma dos neandertais e de outra esp\u00e9cie extinta de parentes pr\u00f3ximos da humanidade, os denisovanos.<br>\u00a0Ao que tudo indica, ambas as esp\u00e9cies de homin\u00ednios tinham c\u00e9rebro e comportamento quase t\u00e3o complexos quanto os do Homo sapiens. Elas desapareceram no fim da Era do Gelo, h\u00e1 cerca de 40 mil anos (ou talvez um pouco mais cedo, no caso dos denisovanos) e evolu\u00edram em regi\u00f5es temperadas da Europa e da \u00c1sia durante algumas centenas de mil\u00eanios. Os neandertais viviam mais a oeste, de Portugal at\u00e9 a \u00c1sia Central, enquanto os denisovanos foram encontrados na Sib\u00e9ria e talvez estivessem distribu\u00eddos numa regi\u00e3o mais ampla do territ\u00f3rio asi\u00e1tico.<br>\u00a0Antes de se extinguirem, por\u00e9m (num processo que ainda n\u00e3o \u00e9 bem compreendido), membros de ambas as esp\u00e9cies se miscigenaram com os primeiros humanos de anatomia moderna que deixaram a \u00c1frica. O legado dos cruzamentos corresponde, hoje, a algo entre 2% e 4% do nosso DNA, que foi herdado desses homin\u00ednios (com mais frequ\u00eancia, dos neandertais).<br>\u00a0A maior parte dessa heran\u00e7a gen\u00f4mica arcaica n\u00e3o parece ter fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, e muito do aporte gen\u00e9tico de neandertais e denisovanos foi, ao que tudo indica, &#8220;peneirado&#8221; e eliminado ao longo da evolu\u00e7\u00e3o mais recente da nossa esp\u00e9cie, talvez por n\u00e3o combinar muito bem com o DNA humano.<br>\u00a0Entretanto, tamb\u00e9m j\u00e1 h\u00e1 pistas de alguns casos de introgress\u00e3o adaptativa \u2014ou seja, circunst\u00e2ncias em que adquirir trechos do DNA das esp\u00e9cies hoje extintas facilitou a adapta\u00e7\u00e3o dos nossos ancestrais a diversos ambientes e aumentou o sucesso deles na reprodu\u00e7\u00e3o, espalhando-se assim pela popula\u00e7\u00e3o humana.<br>\u00a0Isso parece ter acontecido, por exemplo, no caso de grupos do Tibete, que se adaptaram \u00e0 vida nas altitudes elevadas do &#8220;topo do mundo&#8221; gra\u00e7as, em parte, a variantes gen\u00e9ticas vindas dos denisovanos. O novo estudo liderado por John Capra investigou a possibilidade de que isso tamb\u00e9m tenha acontecido no caso de trechos do DNA associados ao rel\u00f3gio circadiano, ou seja, o sistema do organismo que nos ajuda a acompanhar as varia\u00e7\u00f5es do dia e da noite.<br>\u00a0Em certo sentido, \u00e9 como achar uma agulha num palheiro, j\u00e1 que ao menos centenas de regi\u00f5es diferentes do DNA est\u00e3o envolvidas com esse processo. Nesse balaio entram tanto genes propriamente ditos \u2013ou seja, \u00e1reas do DNA que cont\u00eam a receita para a produ\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna espec\u00edfica\u2013 quanto diferentes regi\u00f5es regulat\u00f3rias, que podem ligar ou desligar genes e modular seu funcionamento de diferentes maneiras (levando \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mais de uma prote\u00edna a partir do mesmo gene, por exemplo).<br>\u00a0A equipe de San Francisco verificou, em primeiro lugar, que a introgress\u00e3o de DNA arcaico no genoma dos seres humanos modernos \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia esperada no caso de regi\u00f5es do DNA associadas ao rel\u00f3gio circadiano. \u00c9 um poss\u00edvel ind\u00edcio de que, no que diz respeito a essa caracter\u00edstica do organismo, a contribui\u00e7\u00e3o dos homin\u00ednios extintos pode ter sido importante.<br>\u00a0<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>&#8220;Ao analisarmos esses pedacinhos de DNA, descobrimos uma tend\u00eancia marcante: muitos deles t\u00eam efeitos que predominantemente aumentam a propens\u00e3o de ser uma pessoa matutina&#8221;, explicou Capra em comunicado oficial.<br>\u00a0&#8220;Essa altera\u00e7\u00e3o casa com os efeitos trazidos pela vida em latitudes mais altas [mais distantes do Equador] sobre os rel\u00f3gios circadianos dos animais. Ela provavelmente permite um alinhamento mais r\u00e1pido do rel\u00f3gio circadiano com mudan\u00e7as sazonais nos padr\u00f5es de luz&#8221;, acrescentou ele.<br>\u00a0Trocando em mi\u00fados, n\u00e3o \u00e9 que simplesmente &#8220;acordar cedo&#8221;, seguindo os padr\u00f5es neandertais, teria sido favor\u00e1vel para os descendentes deles na popula\u00e7\u00e3o de seres humanos de anatomia moderna. O que acontece \u00e9 que essas variantes de DNA facilitavam a adapta\u00e7\u00e3o do organismo das pessoas \u00e0s mudan\u00e7as da quantidade de luz nas regi\u00f5es temperadas, onde o dia pode ser muito longo no ver\u00e3o e muito curto no inverno. Cair da cama logo cedo seria um mero subproduto disso.(O Tempo)<br>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem Reprodu\u00e7\u00e3o Os membros madrugadores da nossa esp\u00e9cie talvez devam o h\u00e1bito de acordar com as galinhas \u00e0 ancestralidade neandertal, que est\u00e1 presente, em alguma medida, na maior parte das pessoas vivas hoje.\u00a0Segundo a hip\u00f3tese, formulada gra\u00e7as a novas an\u00e1lises do genoma dos neandertais e dos seres humanos modernos, essa caracter\u00edstica pode ter ajudado o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-36497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36497"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36499,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36497\/revisions\/36499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}