{"id":19565,"date":"2020-01-03T11:47:53","date_gmt":"2020-01-03T14:47:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/?p=19565"},"modified":"2020-01-03T11:48:07","modified_gmt":"2020-01-03T14:48:07","slug":"jorge-salomao-lanca-antologia-poetica-e-prepara-livro-sobre-o-irmao-waly-clique-e-saiba-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/jorge-salomao-lanca-antologia-poetica-e-prepara-livro-sobre-o-irmao-waly-clique-e-saiba-mais\/","title":{"rendered":"Jorge Salom\u00e3o lan\u00e7a antologia po\u00e9tica e prepara livro sobre o irm\u00e3o, Waly."},"content":{"rendered":"<div class=\"excerpt\">\n<p><a href=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Jorge-Salom\u00e3o-cortado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19566\" src=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Jorge-Salom\u00e3o-cortado.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"533\" \/><\/a>Jorge Salom\u00e3o\u00a0estava chateado com o clima de intoler\u00e2ncia instalado no Brasil. Um dia, conversando com a editora, mencionou a vontade de fazer um livro para se animar. No matutar sobre o que seria poss\u00edvel, lembrou que muitos de seus livros est\u00e3o esgotados e, assim, prop\u00f4s uma colet\u00e2nea que reunisse todos os sete volumes publicados ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. O resultado est\u00e1 na\u00a0antologia<em>\u00a07 em 1<\/em>, lan\u00e7amento da Gryphus que re\u00fane todos os livros de Jorge Salom\u00e3o. Al\u00e9m disso, o poeta do desbunde, como ficou conhecido nos anos 1970, tem uma cole\u00e7\u00e3o de projetos na manga, todos em vias de execu\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o pr\u00f3ximo ano, ele lan\u00e7a<em>\u00a0Campo minado de flores\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Panacum,<\/em>\u00a0al\u00e9m de um livro sobre o irm\u00e3o, o tamb\u00e9m poeta\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/diversao-e-arte\/2011\/09\/14\/interna_diversao_arte,269785\/shows-rendem-homenagem-ao-canto-torto-de-grandes-nomes-da-musica-brasileira.shtml\">Waly Salom\u00e3o<\/a>, cujo t\u00edtulo provis\u00f3rio \u00e9\u00a0<em>Duas ou tr\u00eas coisas que sei dele ou Waly, Waly!<\/em>.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 sentar e finalizar tudo para dar um g\u00e1s e um \u00e2nimo que ajudem a tocar a vida, uma coisa que Jorge sempre soube fazer. \u201cCarrego em mim uma coisa de que gosto muito: a idade n\u00e3o me trouxe nenhuma dose de dor nem de arrog\u00e2ncia com as coisas, sempre estou com muita alegria para o que vier, para as coisas em si. Gosto de conhecer pessoas. Gosto de n\u00e3o ter coagulado em mim o prazer de viver. Estou com 73 anos, sou debochado, brinco com as pessoas, ando na rua, moro h\u00e1 muitos anos em Santa Tereza e as pessoas de l\u00e1, quando me veem, v\u00eam e falam comigo. Viver \u00e9 muito importante numa \u00e9poca t\u00e3o \u00e1spera, dif\u00edcil como est\u00e1 o presente, empesteado de \u00f3dio, de nojo, de todas as qualidades piores\u201d, acredita.<\/p>\n<p>Reunir<em>\u00a0Mosaical<\/em>,<em>\u00a0O olho do tempo<\/em>,\u00a0<em>Campo da Am\u00e9rika<\/em>,<em>\u00a0Sonoro<\/em>,\u00a0<em>A estrada do pensamento<\/em>,\u00a0<em>Conversa de mosquito<\/em>,\u00a0<em>Alguns poemas e + alguns\u00a0<\/em>deu ao poeta a oportunidade de lan\u00e7ar um olhar panor\u00e2mico sobre a pr\u00f3pria obra. Lan\u00e7ados entre 1994 e 2016, os livros apresentam a evolu\u00e7\u00e3o da poesia, mas tamb\u00e9m da prosa de Jorge. \u201c\u00c9 legal isso porque voc\u00ea viaja. Lendo as coisas eu ficava entusiasmado com meu \u00edmpeto de escrever em certos livros. O campo da escrita \u00e9 intenso, filos\u00f3fico, ut\u00f3pico, mistura linguagens sonoras, escritas\u201d, acredita. \u201cVoc\u00ea revisar seu pr\u00f3prio trabalho traz surpresas inacredit\u00e1veis. Jamais imaginaria que me entusiasmaria lendo coisas minhas. Escrevi isso, \u00e9 muito legal, \u00e9 bom, \u00e9 fant\u00e1stico.\u201d<\/p>\n<p>Ele se entusiasma tamb\u00e9m com o projeto da colet\u00e2nea, especialmente com a orelha da acad\u00eamica\u00a0N\u00e9lida Pi\u00f1on\u00a0e do jornalista Christovam De Chevalier (filho de Scarlet Moon), e a capa feita pelo filho, Jo\u00e3o Salom\u00e3o, designer gr\u00e1fico radicado em Nova York e orgulho do pai. \u201cJo\u00e3o veio do grafite, passou para a ilustra\u00e7\u00e3o e tem feito muita coisa em revistas americanas. Chevalier \u00e9 um excelente poeta, e N\u00e9lida, uma grande escritora, que escreveu palavras sobre minha pessoa que s\u00e3o inacreditavelmente geniais\u201d, garante.<\/p>\n<p>Olhar para esse conjunto de livros fez Jorge ter uma ideia da evolu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria obra. Quando escreveu\u00a0<em>Mosaical<\/em>, nos anos 1990, ele lembra de ter colocado os versos em um saquinho de pl\u00e1stico para levar para a editora. De l\u00e1 para\u00a0<em>Alguns poemas e alguns,<\/em>\u00a0publicado em 2016, h\u00e1 um caminho tra\u00e7ado n\u00e3o apenas pela experimenta\u00e7\u00e3o da forma, mas pelo conte\u00fado.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7o a dialogar com a prosa po\u00e9tica e, depois, com campos da Am\u00e9rica, que \u00e9 um discurso estratosf\u00e9rico, um discurso denso, filos\u00f3fico e forte sobre a situa\u00e7\u00e3o do mundo, sobre como nos posicionamos frente a tanto acontecimento desastroso, a tanto avan\u00e7o tecnol\u00f3gico por um lado, e desumanidade, por outro\u201d, repara.\u00a0<em>Sonoro,<\/em>\u00a0ele aponta, \u00e9 um livro de poemas que dan\u00e7a um pouco entre Brecht e Rimbaud, autores que Jorge aprecia mito.\u00a0<em>A estrada do pensamento<\/em>\u00a0\u00e9 mais reflexivo e filos\u00f3fico, um livro sobre como prosseguir e o que fazer.\u00a0<em>Conversa de mosquitos<\/em>\u00a0carrega uma anedota interessante. Jorge estava lendo um livro do fil\u00f3sofo austr\u00edaco Ludwig Wittgenstein no parapeito de uma janela quando viu dois mosquitos. \u201cE eles se olhavam e parecia que estavam conversando\u201d, lembra, aos risos, ao se recordar tamb\u00e9m da rea\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o, Waly ao t\u00edtulo do livro.<\/p>\n<p>Jorge achava que boa parte da poesia feita na \u00e9poca era acad\u00eamica demais, chata demais. \u201cE eu n\u00e3o gosto disso\u201d, avisa. \u201cSou uma pessoa muito vulc\u00e2nica, discuto muito os conceitos, gosto de destrinchar conceitos, de misturar informa\u00e7\u00f5es.\u201d Com um apego \u00e0 sonoridade dos versos, ele come\u00e7ou a reparar que esse aspecto estava fragilizado e a poesia estava se tornando muito parnasiana. Olhando agora para os sete livros, compreende o conjunto da obra. \u201cGosto do avesso das coisas. Ou de revirar as coisas. Acho que, ao conceituar, voc\u00ea pode tamb\u00e9m dar uma conota\u00e7\u00e3o de rota\u00e7\u00e3o de tudo, e n\u00e3o ser uma coisa estabelecida\u201d, repara.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos mais velho, Waly foi muito importante na vida de Jorge. Foi ele um dos grandes incentivadores da escrita po\u00e9tica, mas tamb\u00e9m das letras de m\u00fasica. Waly e Ant\u00f4nio C\u00edcero insistiram muito para que Jorge escrevesse m\u00fasica. \u201cTudo que eu falava, Waly e C\u00edcero diziam que era genial e ficavam falando \u2018voc\u00ea devia fazer letra de m\u00fasica\u2019. Mas eu achava minhas frases muito longas, chatas. E eles batiam na tecla. J\u00e1 eram famosos. E isso aconteceu misteriosamente\u201d, conta.<\/p>\n<p>Um encontro casual, na praia, com o compositor Nico Rezende resultou em\u00a0<em>Noite<\/em>, gravada por Zizi Possi, e\u00a0<em>Pseudo blues<\/em>, levada \u00e0s listas das mais ouvidas pela voz de Marina Lima. As m\u00fasicas catapultaram Jorge ao mundo dos est\u00fadios e gravadoras. \u201cEu entrava em um t\u00e1xi e tocava<em>\u00a0Noite<\/em>, ia comprar cigarro e tocava\u00a0<em>Pseudo blues<\/em>, uma loucura!\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Sobre o livro dedicado a Waly, Jorge avisa que ser\u00e1 um conjunto de mem\u00f3rias e reflex\u00f5es dedicadas ao irm\u00e3o. \u201cO livro est\u00e1 pronto e \u00e9 sobre nossas vidas, nossas brincadeiras, nossas uni\u00f5es e desuni\u00f5es, nossos amores. Desde crian\u00e7a a gente era muito unido, ele sempre teve muita prote\u00e7\u00e3o comigo\u201d, lembra. \u201cNossas vidas inteiras foram muito paralelas, mesmo em momentos de desuni\u00e3o. A gente tinha uma paix\u00e3o grande um pelo outro, talvez tenha sido n\u00e3o s\u00f3 uma coisa de irm\u00e3o, mas por termos os dois escolhido caminhos libert\u00e1rios, que possibilitaram uni\u00f5es mais fortes, alian\u00e7as progressistas.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Minha sensibilidade<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>minha sensibilidade<\/p>\n<p>n\u00e3o \u00e9 lata de lixo n\u00e3o<\/p>\n<p>nem espremedor de laranjas<\/p>\n<p>a triturar frutas sem parar<\/p>\n<p>nem alvo para testes de pontaria<\/p>\n<p>nem rede para se espregui\u00e7ar<\/p>\n<p>nem milho de pipoca prestes a estourar<\/p>\n<p>nem ar condicionado<\/p>\n<p>nem nada do que se possa esperar<\/p>\n<p>nem ventilador a atirar o caos para o ar<\/p>\n<p>nem mensagens que n\u00e3o puderam<\/p>\n<p>numa garrafa entrar<\/p>\n<p>nem barco sem condi\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>atirado a altas ondas do mar<\/p>\n<p>minha sensibilidade \u00e9 simples<\/p>\n<p>n\u00e3o gosta de barulho<\/p>\n<p>mas gosta de dan\u00e7ar<\/p>\n<p>\u00e9 simples<\/p>\n<p>e volta e meia<\/p>\n<p>se perde no filme invis\u00edvel<\/p>\n<p>que passa por entre as rochas<\/p>\n<p>e fica a indagar o seu caminhar<\/p>\n<p>minha sensibilidade<\/p>\n<p>\u00e9 uma interroga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>neste deserto de absurdas afirma\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>n\u00e3o \u00e9 nada<\/p>\n<p>do que se possa esperar<\/p>\n<p>\u00e9 simples<\/p>\n<p>e quer aumentar&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Salom\u00e3o\u00a0estava chateado com o clima de intoler\u00e2ncia instalado no Brasil. Um dia, conversando com a editora, mencionou a vontade de fazer um livro para se animar. No matutar sobre o que seria poss\u00edvel, lembrou que muitos de seus livros est\u00e3o esgotados e, assim, prop\u00f4s uma colet\u00e2nea que reunisse todos os sete volumes publicados ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-19565","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bahia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19565"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19565\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19568,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19565\/revisions\/19568"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}