{"id":11024,"date":"2016-10-23T10:55:57","date_gmt":"2016-10-23T13:55:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/?p=11024"},"modified":"2016-10-23T11:05:13","modified_gmt":"2016-10-23T14:05:13","slug":"anesia-cauacu-foi-uma-mulher-que-viveu-a-frente-do-seu-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/anesia-cauacu-foi-uma-mulher-que-viveu-a-frente-do-seu-tempo\/","title":{"rendered":"An\u00e9sia Caua\u00e7u foi uma  mulher que viveu \u00e0 frente do seu tempo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11028\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/An\u00e9sia-caua\u00e7u-aumentado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11028\" class=\"size-full wp-image-11028\" alt=\"(Imagem Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/An\u00e9sia-caua\u00e7u-aumentado.jpg\" width=\"300\" height=\"409\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11028\" class=\"wp-caption-text\">(Imagem Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p align=\"center\"><b>100 anos\u00a0 da entrevista da cangaceira\u00a0 An\u00e9sia Caua\u00e7u ao Jornal A TARDE<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Domingos Ailton<\/strong>(Escritor, Jornalista e Professor )<\/p>\n<div id=\"attachment_11029\" style=\"width: 327px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Domingos-Ailton1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11029\" class=\"size-full wp-image-11029\" alt=\"Escritor Domingos Ailton\" src=\"https:\/\/www.lulelisnoticias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Domingos-Ailton1.jpg\" width=\"317\" height=\"300\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11029\" class=\"wp-caption-text\">Escritor Domingos Ailton<\/p><\/div>\n<p><strong>Exatos 100 anos, dia 25 de outubro de 1916, concidentemente data do anivers\u00e1rio de Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica de Jequi\u00e9,\u00a0 o Jornal A TARDE trazia como manchete\u00a0 <\/strong><i><strong>JEQUI\u00c9, Cauassus, Marcionilio e Zezinho dos La\u00e7os.<\/strong>\u00a0 A empreitada dos crimes. Narrativa de uma Cauassu ao nosso rep\u00f3rter<\/i>, com uma foto\u00a0 da cangaceira An\u00e9sia Caua\u00e7u ao lado de uma crian\u00e7a. Na primeira p\u00e1gina e nas p\u00e1ginas internas\u00a0 do jornal, An\u00e9sia narra a trajet\u00f3ria da fam\u00edlia Caua\u00e7u cuja grafia da \u00e9poca\u00a0 se escrevia Cauassu, dando conta\u00a0 de que seus familiares eram simples agricultores e comerciantes e que se tornaram cangaceiros por conta de uma vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em Itua\u00e7u, antigo Brejo Grande, na Chapada Diamantina, duas fam\u00edlias disputavam o poder local: os Silvas, chamados de &#8220;rabudos&#8221;, e os Gondins, denominados de &#8220;moc\u00f3s\u201d. O major Zezinho dos La\u00e7os (um dos l\u00edderes dos \u201crabudos\u201d) \u00a0exige que Augusto Caua\u00e7u acompanhe seu grupo \u00a0de jagun\u00e7os em uma emboscada contra a fam\u00edlia Gondim. Por conta da recusa de Augusto, este \u00e9 assassinado a mando de Zezinho dos La\u00e7os. Ent\u00e3o, \u00a0a fam\u00edlia Caua\u00e7u se re\u00fane e resolve vingar a morte, assassinando Zezinho dos La\u00e7os seis anos depois em uma tocaia na Fazenda Rochedo. Chefes dos \u201crabudos\u201d, a exemplo do coronel Marcion\u00edlio de Souza\u00a0 e de Casseano do Are\u00e3o passam a perseguir e matar membros da fam\u00edlia Caua\u00e7u e de seus aliados, comandados por An\u00e9sia e seu irm\u00e3o Jos\u00e9 Caua\u00e7u. Pressionado pelos coron\u00e9is, o ent\u00e3o governador da Bahia, Ant\u00f4nio Muniz, denomina o movimento armado dos Caua\u00e7us de &#8220;conflagra\u00e7\u00e3o sertaneja\u201d e envia para Jequi\u00e9 mais de 240 soldados em tr\u00eas expedi\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia militar da Bahia, com participa\u00e7\u00e3o inclusive de oficiais\u00a0 que combateram na Guerra de Canudos, a exemplo do tenente-coronel\u00a0 Paulo Bispo. Ocorre\u00a0 ent\u00e3o a Guerra do Sert\u00e3o de\u00a0 Jequi\u00e9, conflito\u00a0 envolvendo os cangaceiros Caua\u00e7us,\u00a0 policiais militares e jagun\u00e7os dos coron\u00e9is.\u00a0 A for\u00e7a policial pratica uma s\u00e9rie\u00a0 de atos\u00a0 violentos n\u00e3o s\u00f3 contra os cangaceiros, mas tamb\u00e9m contra a popula\u00e7\u00e3o inocente de Jequi\u00e9 e regi\u00e3o. O alferes Francisco Gomes \u2013 Pisa Macio obriga\u00a0 um homem a\u00a0 comer lama no povoado do Baix\u00e3o, crucifica outro nas margens do Rio das Contas e \u00a0lan\u00e7a crian\u00e7as para o ar,que s\u00e3o amparadas com a ponta das baionetas e levava suspeitos para um pequeno morro no Curral Novo onde eram sangrados com requintes\u00a0 de perversidade. O local ficou conhecido como Morrinho da Matan\u00e7a.<\/p>\n<p>O\u00a0 genoc\u00eddio \u00e9 denunciado pelo Jornal\u00a0 A TARDE, que envia um rep\u00f3rter para fazer a cobertura das expedi\u00e7\u00f5es policiais em Jequi\u00e9 e\u00a0 na ocasi\u00e3o entrevista An\u00e9sia Cau\u00e7u, dando destaque a\u00a0 sua narrativa a respeito da hist\u00f3ria do bando e do hist\u00f3rico conflito daquele ano de 1916.<\/p>\n<p>An\u00e9sia Caua\u00e7u foi uma\u00a0 mulher que esteve \u00e0 frente do seu tempo. Foi \u00a0 a primeira mulher nordestina a \u00a0ingressar no canga\u00e7o, uma vez que em 1911, ano\u00a0 do nascimento de\u00a0 Maria Bonita, An\u00e9sia j\u00e1\u00a0\u00a0 lidera\u00a0 um bando de\u00a0 mais de 100\u00a0 bandoleiros. Ela tamb\u00e9m\u00a0 foi a primeira no sert\u00e3o de Jequi\u00e9\u00a0 a \u00a0praticar \u00a0 montaria \u00a0de frente, j\u00e1 que as mulheres de sua \u00e9poca \u00a0montavam de lado em uma sela \u00a0 denominada silh\u00e3o, e a pioneira\u00a0 das terras jequieenses a\u00a0 vestir cal\u00e7as compridas (as mulheres do per\u00edodo em ela viveu \u00a0apenas usavam vestidos e saias), para\u00a0 facilitar o combate em cima do cavalo. O historiador Emerson Pinto de Ara\u00fajo, que registou\u00a0 a hist\u00f3ria\u00a0 da cangaceira assim a descreve: \u201cera uma mulher branca, de olhos azuis, bons dentes, alta e delgada, que tomava suas pingas, sem que ningu\u00e9m ousasse faltar-lhe com respeito. Numa \u00e9poca em que n\u00e3o existiam academias de defesa pessoal, ela tinha ginga de corpo, conhecia- ningu\u00e9m sabe com quem aprendeu &#8211; \u00a0os \u00b4rabos-de-arraia da capoeira, batendo forte nas fu\u00e7as\u00a0 de muitos valent\u00f5es\u00a0 que tentavam avan\u00e7ar o sinal. Manejando armas de fogo com uma pontaria invej\u00e1vel, jogava <i>pra escateio <\/i>os melhores atiradores. Certa feita, bafejada pelo acaso, numa dist\u00e2ncia de trezentos metros, cortou o dedo do sargento Etelvino, quando este indicava aos seus comandados a dire\u00e7\u00e3o em que deveria atacar\u201d.\u00a0 Com base na mem\u00f3ria coletiva de tradi\u00e7\u00e3o oral, em documentos escritos e no meu imagin\u00e1rio, escrevi um romance hist\u00f3rico\u00a0 que tem como protagonista An\u00e9sia Caua\u00e7u. Inspirado neste texto ficcional, o poeta e cordelista Jos\u00e9 Walter Pires produziu um livro de cordel e o compositor e cantor Jonas Carvalho comp\u00f4s uma m\u00fasica\u00a0 sobre a saga de An\u00e9sia Caua\u00e7u.\u00a0 Diversos estudos acad\u00eamicos foram e est\u00e3o sendo desenvolvidos sobre essa guerreira do sert\u00e3o de Jequi\u00e9. A entrevista publicada em 25 de outubro de 1916 e as mat\u00e9rias publicadas pelo Jornal A TARDE h\u00e1\u00a0 100 anos\u00a0 sobre os conflitos na regi\u00e3o de Jequi\u00e9 constituem relevantes documentos da hist\u00f3ria\u00a0 do coronelismo e do canga\u00e7o na Bahia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>100 anos\u00a0 da entrevista da cangaceira\u00a0 An\u00e9sia Caua\u00e7u ao Jornal A TARDE Domingos Ailton(Escritor, Jornalista e Professor ) Exatos 100 anos, dia 25 de outubro de 1916, concidentemente data do anivers\u00e1rio de Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica de Jequi\u00e9,\u00a0 o Jornal A TARDE trazia como manchete\u00a0 JEQUI\u00c9, Cauassus, Marcionilio e Zezinho dos La\u00e7os.\u00a0 A empreitada dos crimes. 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