
Agrárias enfrentando a lida bruta do campo tem, historicamente, um rosto masculino. No entanto, esse retrato emoldurado por décadas de exclusão está sendo quebrado. Hoje, a presença feminina não apenas cresce, ela redefine fronteiras e ocupa espaços que antes pareciam intransponíveis.
Nesse cenário de transformação, a Uesb se destaca como um reflexo vivo dessa mudança. Pelos corredores dos seus três campi, a presença feminina deixa de ser uma estatística para se tornar força motriz de produção acadêmica e transformação social.
A professora Simone Gualberto, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Uesb, é uma dessas mulheres. Para ela, a presença feminina na ciência tem sido um motor de transformação social, rompendo barreiras históricas de acesso ao Ensino Superior. “Hoje, participamos de forma cada vez mais ativa da produção científica e contribuímos para ampliar os olhares e as soluções para os desafios da sociedade”, afirma.
Ao longo de sua história, a Uesb vem buscando incentivar esse protagonismo por meio de grupos de pesquisa e laboratórios que integram docentes e discentes em áreas estratégicas, como Tecnologia, Meio Ambiente e Inovação. Simone ressalta que a Universidade tem buscado reconhecer os desafios enfrentados pelas pesquisadoras para consolidar suas trajetórias.
Segundo ela, ao dar visibilidade a essas contribuições, a Instituição ajuda a construir um ambiente científico mais inclusivo. “Valorizar a presença das mulheres na produção do conhecimento é fundamental para fortalecer uma ciência mais diversa, mais justa e mais conectada com as necessidades da sociedade”, pontua a professora.
De acordo com a professora Silmara Carvalho, coordenadora do curso de Zootecnia, a ampliação da presença feminina acompanha a própria diversidade de áreas de atuação da profissão. Segundo ela, o trabalho do zootecnista vai muito além do manejo animal. “A Zootecnia envolve ciência, produção de alimentos, sustentabilidade e cuidado com os animais. As mulheres têm mostrado, cada vez mais, que têm muito a contribuir nesse campo”, ressalta.
A professora destaca ainda a importância de as jovens não se deixarem limitar por estereótipos de gênero. Embora algumas atividades práticas possam parecer desafiadoras inicialmente, especialmente aquelas ligadas ao manejo direto com os animais, na prática, as alunas demonstram segurança e competência no desenvolvimento dessas atividades. “Se existe interesse, curiosidade e vontade de aprender, já é um ótimo começo”, completa Silmara.
A insegurança feminina na Bahia – A celebração do Dia da Mulher também convida à reflexão sobre a realidade da violência enfrentada por muitas brasileiras. A professora Zoraide Cruz, diretora do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagens (Dchel) da Uesb, desenvolve uma pesquisa que analisa dados sobre a violência contra a mulher na Bahia.
De acordo com o estudo, a maioria das vítimas de feminicídio no estado tem entre 20 e 40 anos, faixa que representa 61% dos casos. Entre elas, 82,5% são mulheres negras ou pardas. Os dados mostram ainda que 91,7% dos casos são classificados como feminicídio íntimo, quando há vínculo afetivo ou familiar entre vítima e agressor.
Ascom/Uesb
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